Estamos em pleno Verão! É a estação do ano que nos bem trazer o bálsamo sublime do bom tempo. Tanto a planta que permanece no vaso da janela ou da  varanda, bem como as flores silvestres que se desenvolvem, ao sabor da natureza, entre o mato bravio que reveste as montanhas ou nos campos, bem como a florescência nos jardins públicos ou privados, ao aproximar-se esta época sofrem, todas, uma espécie de metamorfose, atenta uma policro­mia de inúmeras tonalidades e aspectos, que nos dá a ideia exacta no mo­mento temporal que vai correndo, tendo como ponto de partida o início da Primavera. As paisagens ganharam novos encantos e tudo nos fala de vida, de amor e de beleza. O ar livre espera por nós, num desdobramento de ma­ravilhas, através duma sinfonia de cores envolvido no azul celeste do Alto Minho. Como é tenra e macia a verdura das leiras iluminadas, que resplandece, aos nossos olhos, a deslumbrância do reino vegetal. Repare-se no contraste desses verdes, na sombra dos valados e no grito de luz que se desprende dos campos ensopados de sol.

O Norte do país é, por excelência, onde todas as manifestações da natureza se combinam numa harmonia profunda e conducente. É o ex-líbris da etnografia, do folclore, dos monumentos românicos, góticos e dos cas­telos roqueiros, em que cada pedra é um alicerce sagrado sobre o qual assentam os pilares da nossa Nação. Os povos que habitaram a terra lusita­na antes de ser fundado o futuro reino, deixaram-nos algumas relíquias das artes romanas, preciosos documentos das civilizações sucessivas da Península e da sua maneira de viver e de estar. Há, portanto, variados monumentos que atestam a invenção artística dos povos da antiguidade que nesta área pisaram o solo português. Aqui foi, sempre, não só o berço de onde irradiou a expansão, mas o centro onde teve mais incremento a ar-

quitectura românica, até ao fim do século XIII. Ela foi a linguagem plástica original do reino durante cerca de dois séculos. Ao mesmo tem­po que apareciam as catedrais românicas, fundaram-se e restauraram-se, nos séculos XII e XIII, vários mosteiros dispersos nas regiões montanhe­sas do Norte, de uma arte mais modesta, regional, mas não menos agradá­vel, falando a linguagem rude do granito.

No Norte de Portugal, na cidade de Viana do Castelo, também se de­senvolveu a arte românica. Prova-o a Igreja Matriz… “verdadeira mara­vilha de granito em estilo românico, segundo Figueiredo da Guerra, ou bi­santino-românico, na opinião emitida pelo padre Carvalho na sua Corogra­fia. Erecta no começo do reinado de D. João 1 (de 1383 a 1400), por D. Justo Balbino, bispo de Ceuta, foi completada com as rendas que o re­gente D. Pedro lhe destinou em 1440. Caindo em ruínas, foi reedificada no ano de 1695″… Dr. José Crespo, in Monografia de Viana do Caste­lo, páginas 34/35, ano de 1957, que foi premiada.

A subida ao Monte de Santa Luzia, a uma altitude de 250 metros, de onde se domina toda a cidade e grande extensão verdejante, montes e casarios, será um passeio muito pitoresco, que não se pode deixar de fazer. Por detrás do Templo encontramos a Citânia, ruínas de parte de uma importante povoação Castreja, cuja mostragem actual se deve a conceituados investigadores vianenses e que está a receber obras de conservação.

 

Nota: Esta crónica, por vontade do autor, não segue a regra do novo acordo ortográfico.