O território geocultural de Santa Luzia congrega uma memória coletiva digna de registo, sendo apreciada pelos visitantes nacionais e estrangeiros.

Quem visita o Templo-Monumento e lá fica por alguns momentos, ouve, com frequência, expressões nas mais diversas línguas. Em seguida reproduzimos algumas delas: “Que beleza! Montanha, cidade, rio, veigas e oceano”. “É verdade, não se pode vir a Viana sem visitar Santa Luzia”. “Parabéns aos artistas que trabalharam o granito de região”.

O arquiteto Ventura Terra, com o sem incontestado talento, concebeu e compôs uma das suas mais belas obras. E o arquiteto Miguel Nogueira, com o seu saber, a sua probidade, o seu talento e a sua grande dedicação à memória do mestre, foi o melhor intérprete.
Sabemos, por documentação existente, que Emídio Pereira Lima em 05 de janeiro de 1928 assumiu a responsabilidade de “mestre” das obras no Templo-Monumento do Sagrado Coração de Jesus, em Santa Luzia.

A família dos “Limas” reuniu-se em confraternização e o evento foi registado pela Foto Roriz, da cidade vianense.

Emídio Pereira Lima desde 1928 até quase ao seu falecimento, a 17 de dezembro de 1984, manteve a sua paixão artística em Santa Luzia.

Foram 56 anos de fidelidade ao risco dos arquitetos Ventura Terra e Miguel Nogueira, olhando as pedras e afagando-as com arte. A sua responsabilidade tinha alma de mestria!
O escritor Manuel Couto Viana referindo-se às obras do Templo-Monumento de Santa Luzia e ao mestre Emídio Lima escreveu: “O arquiteto Miguel Nogueira contava com a sua competência e dedicação. E bem podia depositar nele toda a confiança. Pereira Lima pode considerar-se um dos maiores benfeitores das obras do Templo-Monumento, porque esquecido de si a elas se dedicou exclusivamente, quando podia, pela sua habilidade, tentar fortuna em qualquer parte do país, ou no estrangeiro”. (Cof. Ferro Velho,1-vol.1989).

O altar-mor do Templo-Monumento do Sagrado Coração de Jesus, em Santa Luzia, foi benzido por Dom António Bento Martins Júnior, arcebispo Primaz de Braga, a 14 de junho de 1959.

Comemora-se a 14 de junho, 60 anos do cerimonial solene, bem presente na memória vianense, e registado na placa granítica existente no interior do Templo-Monumento.
No silêncio do Templo sente-se espiritualidade e comunga-se a memória de gerações.