Por estes dias, andou a grande paróquia muito entretida com palpites, acusações, leves insultos, inflamadas injúrias, descarados disparates e outros entretenimentos sobre o tema das touradas. Tudo começou por ter sido decidido um tratamento fiscal menos simpático para o tal espetáculo e a Ministra afirmar de que essa decisão não era uma questão de gosto, mas sim de civilização.
Podemos discutir sobre se é função de uma Ministra, mesmo sendo da cultura, definir o que é ou não aceitável na nossa civilização. Podemos até discordar de ela assumir isoladamente essa definição. Mas também devemos, já agora, aproveitar a oportunidade para seriamente avaliar se esse espetáculo se enquadra nos nossos padrões civilizacionais atuais.
Ainda antes de discutir o futuro, atente-se no presente: Decreto-Lei n 260/2012 – Artigo 68 – 1 — Constituem contraordenações puníveis pelo diretor-geral de Alimentação e Veterinária com coima cujo montante mínimo é de € 25 e o máximo de € 3740: e) O maneio e treino dos animais com brutalidade, nomeadamente as pancadas e os pontapés;
Portanto, dar um pontapé num animal é uma contraordenação punível com coima; espetar-lhes uns ferritos no lombo, já pode estar bem, desde que seja coisa apreciada por gente fina. Ter um macaco a fazer macacadas num circo é um espetáculo inaceitável, proibido recentemente, lidar um touro numa arena até deveria merecer um tratamento fiscal positivamente diferenciado.
Tenham vergonha… a tourada não é coisa desta civilização e é indesculpável e injustificável mantê-la. Falta muito para acabar de vez?