A evolução das sociedades nos diversos países tem permitido que vão saindo dos armários, onde permaneciam encerradas, aquilo a que se chamavam disfunções de vária ordem, que eram anatemizadas e não aceites tanto pelas normas de conduta social como pelos ordenamentos jurídicos. Esta realidade tem vindo a evoluir de uma forma extremamente rápida, dando ideia de que, se não se aproveitar esta onda de liberdade, poderão ocorrer alterações radicais nas lideranças políticas, tão frequentes em democracia, e, com isso, o fim do sonho.

Dizia com graça o meu professor de filosofia, já falecido, que era bonito um homem ser feio e também o seu contrário, isto é, era feio um homem ser bonito. A verbalização deste pensamento emergia do facto de haver na turma um aluno que se preocupava em demasia com a sua imagem, ou, como agora se diz, com o seu “look”, coisa que no meio estudantil suscitava comentários jocosos. E concordo com o meu antigo mestre, porque valorizo mais uma educação viril como a que se praticava na antiga cidade-Estado de Esparta, com a preparação de homens em toda a sua plenitude, do que o narcisismo, hoje cada vez mais presente em qualquer meio.

Claro que todo o indivíduo deve exibir um aspecto cuidado, e já isso era assumido como preocupação dos líderes políticos da Antiguidade Clássica, que tinham o cuidado de projectar uma imagem física jovem, viril e atractiva. O homem devia apresentar-se como um homem másculo, e a mulher ser delicadamente feminina, misteriosa, sensual, ideia que também radica na minha concepção do ser humano. Na verdade, são dois opostos, cada um com a sua força, mas que acabam por ser atraídos um pelo outro para encetarem vidas em comum que conduzem à multiplicação do ser humano. Assim está estruturada a lei geral natureza.

Creio que muitas tendências das que observamos no presente têm origem na educação em crianças, com grande permissividade por parte dos progenitores, muitas vezes sem a devida percepção quanto às consequências. Endeusa-se a criança, dá-se-lhe tudo, não se cuida de moldar o seu carácter à sua condição, alimenta-se um narcisismo quase sempre consciente, o desenvolvimento físico e mental segue num determinado rumo, sem a marcação de diferenças entre o masculino e feminino, enfrentando depois realidades para as quais não estamos mentalmente preparados. E essas realidades acabam por se materializar em tendências para a efeminização, por parte de rapazes, e para a masculinização, por parte de raparigas, com acento tónico nas novas gerações.

O crescimento deste fenómeno tem sido exponencial, de tal forma que os governos vão acabando por ceder e acolher, em leis, o que antes não era admissível, e que hoje ainda não o é em muitos países. Os casamentos dos homossexuais sucedem-se, a libertinagem passou a ser pública e despudorada, promovem-se “orgulhosos” desfiles com bizarros participantes, adoptam-se crianças por homossexuais, matam-se bebés à nascença, prepara-se a morte dos idosos com a eutanásia, enfim, cada um tenta evidenciar-se com o seu potencial interior. Por este caminhar, e com débeis lideranças políticas a serem cada vez mais alimentados por indivíduos com tendências vanguardistas de liberdade total, a sociedade perde valores e não estará longe o dia em que o que hoje é ainda considerado um anátema passará a ter cobertura legal, transformando-se num direito. Estão neste caso o incesto, a pedofilia, a violação, o swing, o sexo nos lugares públicos e várias outras situações anómalas. Se a evolução humana continuar a seguir estas tendências, como parece, deixaremos aos nossos netos, como triste herança, uma sociedade doente, anarca, sem ética e sem moral, vocacionada apenas para o gozo da vida terrena, quando a vida, na sua essência, não é só isso, mas muito, muito mais.

Sem dúvida que as televisões têm dado um forte contributo para o crescimento desta nova realidade, não só com programas repugnantes que nunca deveriam sair do esgoto, porque não passam de excreções nauseabundas, mas também pela exposição de certos figurões como testas de ferro, vulgo apresentadores, indiciando uma nítida intencionalidade para o populismo, como se de iluminados se tratasse. Parece evidente que existe por trás deste fenómeno social um poderoso lobby, devidamente enraizado, que tudo faz para que se vá alterando na sociedade o modo de pensar e de interagir. Para mantermos a sanidade mental, a nossa resistência tem de ser forte contra esta intrusão abusiva na mente humana!

No actual estado de coisas, vê-se que a sociedade vai regredindo e perdendo muita da força dos seus valores, valores que alicerçaram a consolidação da nossa Nação como um Estado, deixando exemplos notáveis pelo mundo inteiro. Os heróis do mar e os nossos egrégios avós, tão enaltecidos, morreriam de vergonha ao interagir com a sociedade de hoje.

Fala-se muito, agora, de um terceiro género, para o que até já se adaptam WC nas escolas. Na minha ignorância, confesso que apenas conheço o masculino e o feminino, sabendo que, igualmente, existe também o neutro, mas apenas na declinação das palavras de algumas línguas, como o latim e alemão, e não direcionado a pessoas. Esse carimbo ou esse selo de terceiro género, sem um qualificativo científico como os anteriores, irá beneficiar quem nele se inclui? Estará o ambiente escolar preparado para resolver possíveis conflitos?

Parafraseando Humberto Eco, grande sociólogo italiano, diria que a sociedade portuguesa sofre de uma gangrena moral já tão metastizada que não é possível fazê-la regredir nesta geração, o que me leva a pensar se não estaremos já numa sociedade de eunucos! É que perante tanta cedência a grupelhos extremistas, faz-nos falta uma outra geração de políticos à semelhança dos da antiga cidade-Estado de Esparta, que defendam o país e a sociedade contra esta vaga de imbecilidades que, moralmente, nos tenta destruir. Em jeito de conclusão, diria que caminhamos para uma sociedade cada vez mais narcisista, egoísta e efeminada, comandada pelo instinto e não pela Razão, o que não augura nada de grandioso para o futuro do país. E é triste!