Viana progredia. No ano do centenário da A Aurora do Lima (1955), Viana beneficiava de um serviço de correio diário para Lisboa, facto de que só se podiam gabar os concelhos de Caminha, Cerveira e Valença, porque os restantes apenas o tinham três vezes por semana. Por sua vez, o Liceu, que tinha sido criado precisamente no ano em que “A Aurora do Lima” teve o seu nascimento (1855), acabava de inaugurar novas e cómodas instalações (1944). Era Viana a fazer o caminho do progresso. E Artur Maciel não podia deixar de se vangloriar com o facto.

Na Alfândega Marítima, o diretor chamava-se José Maria forte-Gato. Eram escrivão da receita, António Manuel Ribeiro de Andrade; tesoureiro, Gonçalo Joaquim de Almeida Sousa e Sá Baptista; Guarda-mor, José Pereira dos Santos; escrivão de carga e descarga, José Joaquim Caldeira; e aspirantes, Francisco José Pacheco e Francisco Meireles Leite. 

Os correios já dispunham de uma Administração Central em Viana, com João Viana da Rocha Páris a actuar como administrador e Delfim Amâncio como fiel. A cidade beneficiava de correio diário para Lisboa, e, com ela, também as vilas de Caminha, Cerveira e Valença. Os restantes concelhos só ainda o tinham três vezes por semana.

O Liceu abrira dois anos antes e, depois de haver funcionado em dependências do Convento de S. Domingos, vertido como que em armazém geral das repartições do Estado, instalara-se, pelos começos do ano, no palácio dos Cunhas Sotomaior, à rua da Bandeira. O bacharel em Medicina Albano José da Cruz e Sousa era o comissário dos estudos e reitor. José Pereira de Castro Peçanha desempenhava o cargo de secretário e ensinava Gramática e Latinidade. José Joaquim de Araújo Salgado regia Aritmética, Geometria, Filosofia Racional e Moral. Sebastião Maria de Andrade e Sousa substituiria nesse ano o professor José Eleutério Barbosa de Lima na cadeira de línguas francesa e inglesa. Começava a frequentar o Liceu no ano de publicação da “Aurora”, um rapazinho que se chamava José Ernesto de Sousa Caldas…

Delegado do procurador régio era o antigo juiz de fora, dr. Joaquim José da Conceição Figueiredo da Guerra, que guerrilhara por D. Miguel e tinha por tio, irmão de sua mãe, o ministro do Reino, Rodrigo da Fonseca Magalhães. O filho, que viria a ser o dr. Luís Figueiredo da Guerra, contava então dois anos e meio.

Presidente da Câmara Municipal, e sucedendo ao velho Mateus António dos Santos Barbosa, achava-se já, apenas com 34 anos de idade, Mateus José Barbosa e Silva – o Mateus, como por toda a gente era conhecido – de quem “A Aurora”, por ocasião da sua morte, em 1882, devia ter sido, durante muitos anos, o primeiro cidadão da nossa terra.

Foi neste pequeno, mas ambicioso mundo vianense, de que calculei a moldura e esbocei a paisagem, que um grupo de amigos pensou em dotar a cidade com o seu primeiro jornal.

No distrito, Valença já levara a palma a Viana. Fora das terras que, no período revolucionário de 47 – o da Junta do Porto – atiraram para a rua um “Boletim Cartista”, colocando-se assim em 15º lugar entre as que primeiro tiveram jornais. No ano anterior, fizera vir a lume “A Razão”.

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