Com a proximidade dos vários atos eleitorais previstos para este ano, as atitudes das forças políticas neles envolvidas vão-se tornando cada vez mais exacerbadas e imaginativas.
No que respeita à direita, então, a confusão é geral e chega a extremos que roçam o caricato…

Do lado do CDS, a afirmação da sua Presidente, Assunção Cristas, de que se considera candidata a P.M. e, mais do que isso, que o seu partido possui a única solução credível para os problemas nacionais, confrontada com o real valor eleitoral do partido e o seu passado como ministra, só pode ser considerada como uma tentativa canhestra de “vender banha de cobra”… O que, diga-se a verdade já há muito nos vem habituado.
No que respeita ao PSD, o problema é diferente.

Como líder contestado no próprio partido a que preside por um número considerável de figuras influentes do mesmo (a sua eleição chegou ao extremo do seu opositor, Santana Lopes, após a derrota, criar um novo partido que, previsivelmente, irá dividir, por pouco que seja, o seu eleitorado) Rui Rio não surge como o “salvador da pátria” capaz de fazer esquecer o desastre que caracterizou o “reinado” de Coelho, Portas e respetivos assessores. É precisamente Montenegro, um dos principais “discípulos” de Coelho que surge a, publicamente, afirmar que Rui Rio não serve e se candidata a substitui-lo por eleição direta ou em congresso a convocar com urgência.

No que respeita à esquerda, o PCP e o BE adotaram a estratégia de sobrevalorizar a sua atuação no apoio ao governo do PS, chamando a si uma parcela significativa da responsabilidade do sucesso inegavelmente obtido e alegando que esse mesmo sucesso não foi maior pelo facto de o PS não ter aceite a totalidade das suas propostas.

Entretanto, no que respeita ao PS, creio que a sua vitória está mais ou menos assegurada, não sendo sequer de afastar a priori a hipótese de uma maioria absoluta. No meio de tudo isto (e, confesso, não acredito em coincidências…) salientam-se as figuras da Sra. Bastonária do Ordem dos Enfermeiros (por acaso, quadro do PSD…) a apoiar uma greve, “financiada” não se sabe como ou por quem, (pondo em causa o SNS) e o Presidente da Liga dos Bombeiros (também figura do mesmo partido) ao pretender desligá-la da Proteção Civil…

Imagem: Deposiphotos