E, se de repente, em jeito de sonho, a cidade acordasse com recepção de um navio de dimensões maiores no seu porto de mar? Não foi. Pelo contrário, na manhã de 16 de Fevereiro de 2019, proveniente da Argentina, nuestros hermanos [da NOGARTPORT], proporcionam a acostagem do maior navio “Fassa” com 190 metros de comprimentos e 30.936 GT (arqueação bruta), trazendo com ele 18.500 toneladas de soja. E com elas, o compromisso assumido no ano transacto. A sua presença e o investimento avultado no porto de Viana do Castelo através da aquisição de agência de navegação e operador portuário, para além da criação de novos postos de trabalho para quem se perfilam melhores condições de laboração.
Nesse sentido, a Administração dos Portos do Douro e Leixões [APDL, S.A], tem nas suas unidades de negócio, no presente caso, em Viana do Castelo, mais um porto que queremos fundamental na economia e no desenvolvimento da união europeia.

Desta forma, espera-se um crescimento continuado num sector determinante para a economia do país, assente nas administrações portuárias que integram o domínio público marítimo com capacidade para a exploração económica dos portos, assumindo estes agentes públicos relevância específica, movida por pessoas, integradora, coordenadora e facilitadora de todas as atividades que concorrem para o produto portuário, sustentadas no conhecimento resultante das profundas e rápidas transformações nas organizações.

Domínios de inegável valor em contexto nacional que relata nos últimos anos um desenvolvimento expressivo, acompanhado de uma diversificação da oferta de infraestruturas e serviços, associado a um aumento da disponibilidade de competências e capacidades para atender tráfegos com requisitos significativos.
E nós, Trabalhadores Portuários em Viana do Castelo, mas não só, queremos e devemos estar satisfeitos. Ambicionarmos ser reconhecidos, cada um dentro das suas esferas patronais pela aceitação de desafios [sem esquecer o valioso contributo da actividade industrial e naval em catapulta [WEST SEA].

Sendo certo, não obstante os relatos de alguma instabilidade no sector, mitigada e ultrapassada entretanto, é generalizada a opinião de que as mudanças no regime de trabalho portuário, durante as últimas décadas do século XX e no princípio do século XXI, têm transformado a actividade, exigindo novas habilitações aos trabalhadores portuários, gerais ou especificas para o desempenho da sua função, juntamente com a inovação tecnológica, com um impacto significativo na organização do trabalho que nos obriga a um estado de alerta e adaptações permanentes.

Por isso, questões políticas, económicas e financeiras com repercussão organizacional e social exigem sacrifícios, ao mesmo tempo que promovem um novo rumo voltado para o mercado e para os resultados, assente na eficiência produtiva, que naturalmente se manifesta na insatisfação ou satisfação dos seus atores e no espectro da relação laboral portuária.

E ao longo deste tempo em que todos, de uma forma ou outra investimos energias renovadoras, sentimo-nos esperançados e queremos desvalorizar a velha metáfora preconceituosa de que “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”, atendendo ao restabelecimento de relações luso-espanholas. A prosperidade, versus declínio, do nosso porto, parece estar no bom caminho. Sem euforias, fazendo uma analogia, julgamo-nos em vésperas de Páscoa. Ou a caminho. A compasso. Do mais elementar cumprir da tradição (lei), da renovação dos espaços, à substituição de equipamentos, as intervenções e realidade são uma constante. Sem equívocos. Mais e muitos. Folar atrás de folar. Haja vontade. Tal como os que nos sucederam por cá [JAPN, IPN, IPTM, APVC, AGILIMA, NOVASTIVA, evocando senhor Domingos Gonçalves, EUROPAC, ENVC …], assim como D. Ceferino Nogueira Rodríguez, fundador do Grupo Nogar. E os trabalhadores de semblante providencial imbuídos deste novo paradigma que a todos estimule e onde se revejam, também pelos diversos recursos humanos, onde o capital humano deva arrogar estatuto preponderante, no crescimento desejado como um ativo empresarial que deve ser gerido por forma a optimizar o desempenho organizacional estratégico e centrado na criação de valor.

Venham mais navios. Muitos. Os Pilotos da Barra saberão a cadência das marés e os restantes trabalhadores portuários saberão, igualmente, dar conta das operações.

Miguel Brázio

Trabalhador Portuário APDL, Viana do Castelo