O Presidente da República esteve em Luanda, neste fim de semana, onde participou no Fórum para a Cultura da Paz da UNESCO. 

As preocupações com a paz em Angola remontam a muito antes da independência, em 1975, mas, infelizmente, continuaram depois desta, até aos princípios do século XXI. Na verdade, durante mais de quarenta anos, Angola esteve em guerra, primeiro, contra os portugueses e, depois, entre fações político-militares angolanas.

Interrogar-se-ão sobre a relação especial que haverá entre Viana e Angola. Esta relação assenta na homonímia de duas cidades lusófonas: a nossa Viana, a da foz do Lima, e a Viana da periferia de Luanda, que, embora seja a mais jovem, é a segunda maior cidade angolana em população, sede de município já com cerca de 2 milhões de habitantes.

Interrogar-se-ão, também, sobre a relação entre Viana e a paz angolana.  Em meados de 1990, alguns jornais admitiam que a paz em Angola passasse pela nossa Viana, por o Alto Minho poder ser palco da reunião entre MPLA e UNITA, com mediação de Portugal, para acabar com a guerra entre eles. Houve contactos informais nesse sentido, mas a reunião veio a ocorrer secretamente na periferia de Lisboa. 

Agora, a Viana que poderá contar para a manutenção da paz em Angola será a outra, onde a UNITA se considera bem apoiada, na disputa eleitoral de 2022, com o Governo e o partido que o suporta, o MPLA, sedeados em Luanda.

Auguramos que a participação do nosso Presidente da República no Fórum da Cultura da Paz contribua para que os congressos do MPLA e da UNITA, que se realizarão nos próximos dias, sejam o princípio de uma caminhada para a paz em Angola… em democracia!

Carlos Branco Morais