Frequentemente temos o prazer de conversar com assinantes que vêm até nós. Aparecem-nos para pagar a sua assinatura e, por vezes, proporciona-se a cavaqueira amiga. Normalmente, falámos sobre o jornal, resultando quase sempre em conversas enriquecedoras. Quantas vezes vem um conselho que obriga à reflexão e proporciona mudanças em aspectos que melhoram páginas, colunas e áreas!

Por isso dizemos que o AL é de todos e feito por todos, sendo esta uma cultura da qual queremos fazer estilo. Mas estes diálogos por vezes vão mais longe, até porque cada assinante considera-se, e bem, como sendo da casa, e essa condição proporciona abertura para a dar a conhecer histórias de vida muito curiosas.

Até nós, veio o Domingos Campos que, para além de ser nosso assinante, estabeleceu connosco, desde há muito tempo, sólidos laços de amizade. Ora, este relacionamento amistoso foi motivo para longos desabafos da sua vida bem preenchida. No fim, quando lhe perguntámos se podíamos dizer algo do que nos disse sobre o seu passado não se fez rogado, porque considera que não tem nada de que não se possa orgulhar.

Domingos Campos é oriundo da família Campos, fundadora das fábricas Campos, com componentes de tijolo e materiais em grés, uma, e outra de faianças.

Mas o seu caminho não foi o de administrador do património do avô e do pai. Ele era um Homem com outras preocupações.  Ele sentia aversão ao Estado Novo, porque o considerava tolhedor da liberdade, persecutório e causador da miséria e do atraso de Portugal. Vai daí e, na sua condição de antifascista, aderiu ao Movimento LUAR, onde pontificavam Palma Carlos e Camilo Mortágua. Emigrou para França e logo de seguida para a Bélgica. Depois fez o percurso que boa parte dos portugueses conhecem deste movimento, com golpes audazes, como foram o caso do assalto ao banco da Figueira da Foz, entre vários.  Domingos Campos espraiou-se sobre este passado combativo na luta pela liberdade, que ainda sente profundamente. E como de uma aventura surgem sempre aventuras novas, este herói desconhecido tinha histórias de nunca mais acabar. Mas havia compromissos estabelecidos e, depois de um tempo longo, mas proveitoso, o nosso estimado Amigo foi tratar dos seus afazeres. O trabalho que gostaríamos de fazer, ficou por isso adiado. Mas ele vai voltar, para falar do muito que tem para nos dar a conhecer.