Entendo que o que mais deve ser valorizado no Ser Humano é a sua coerência de princípios. Contudo, os cidadãos, sem se desviarem de processos de seriedade e de defesa de valores sociais e éticos, não podem remeter-se a posições estáticas, indiferentes à evolução do mundo. Quem sonha com uma sociedade mais justa e humana, não pode estar agarrado a práticas que o tempo provou estarem desadequadas.

Por mim, sempre atento à mudança, também permaneço fiel às origens. Como sempre disse e escrevi, entendo a democracia como um sistema onde todos são pessoas, com pluralismo ideológico, eleições livres, alternância de poder e onde todos possam fruir da liberdade para exprimir a sua razão. Entendo ainda que, neste quadro, não devem caber forças extremistas que perfilhem o oposto a estas condutas, com a agravante de não aceitarem o respeito das minorias, a convivência entre raças e a defesa da paz, conceitos que estimulam o subdesenvolvimento, a agressividade e a não dignificação dos indivíduos nos seus direitos básicos.

Também é por isso que aplaudo a nossa integração na União Europeia, espaço de liberdade, de união de esforços na persecução de uma economia evoluída, de inquietações com o ambiente, e onde grande parte dos povos do mundo aspiram a viver. Trata-se de uma comunidade longe da perfeição, mas com liberdade suficiente para a irmos melhorando, não se justificando por isso o aparecimento de personalidades e estados que a tentam por em causa, minando-a nos seus principais alicerces, atitudes que devem merecer o nosso maior repúdio.

Sobre as eleições que aí estão, estou convencido de que, sem grandes maçadas, todos os partidos gostariam de proporcionar aos seus concidadãos um país de boa vivência. O que os diferencia, para além de outras razões, são os caminhos para lá chegar: se deve haver mais ou menos estado, mais ou menos liberalismo económico e mais ou menos direitos sociais para as populações. As dúvidas para mim não se colocam. Defendo uma sociedade que, não pondo em causa os princípios elementares da economia como fator de progresso, vê no cidadão o seu agente principal. Por isso, não escondo que, nestas eleições, mais uma vez, votarei onde sempre votei.

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