Estas singelas palavras de gratidão servem não só para recordar, bem como homenagear todas aquelas famílias, mulheres, homens e crianças, que viveram nos anos 70, na Ribeira de Viana do Castelo.

Anos de dificuldades e trabalho árduo…

Contudo, eram ruas cheias de crianças, alegres e ativas.
Uma rua que transpirava movimento, amizade e partilha. Brincadeiras do passado… o Tato/Fixe; os bailes, o armazém escuro, ou os casamentos ocorridos no armazém do Tio Martinho; as casas na árvore, no Monte Sta. Luzia; a apanha do mexilhão, do berbigão e, a corrida de carrinhos de mão até à Lota; os campeonatos de futebol, entre ruas, no Campo da Sra. D´Agonia, seguidos do famoso mergulho no cais; as batalhas no castelo, entre outras brincadeiras.

Por outro lado, havia um associativismo informal, uma entre-ajuda livre e fraterna. À falta da cebola para a sopa contávamos com a solidariedade do vizinho; o peixe que sobrava, do quinhão, oferecia-se ao mais necessitados; levava-se as compras das senhoras mais idosas, nem que fosse para receber aquele rebuçado…

Éramos crianças livres e felizes, cheias de energia e imaginação.
Hoje, obrigo-me a recorrer a este meio, antes que as palavras, a giz, corram o risco de se apagar!
Hoje…

Há ruas cada vez mais bonitas, mas com menos crianças e menos atividade. Contudo, os que resistem mantêm a amizade e solidariedade. É neste sentido, e na qualidade de filho da nossa terra, que não posso deixar de reconhecer, publicamente, o que aqueles homens e mulheres deram de si em prol dos seus filhos.
Escrevo, muito provavelmente em nome de todos, pois sem dúvida essas pessoas são peculiares pela sua perseverança, confiança e amizade.

Porque é nosso dever cumprir com o lema «o ser… mais do que ter».

Termino, sem mais palavras…
Simplesmente, obrigada a todos aqueles que fazem e fizeram parte desses dias.
A todos, muito obrigado!