li na esquina da Rua da Picota
uma bem cansada concertina brota
notas com sons muito originais;
música a parecer apenas o que era,
mas que marcou, certamente, uma era
que saudosamente não volta mais.

O “Toca Tone” dava quanto tinha
espremendo a concertina velhinha,
assim vivendo no seu peculiar mundo.
Enquanto o Tone, debilitado, tocava,
quem, afinal, mais a festa aproveitava
era, no seu pátio, o engraxador Raimundo.

Figuras excêntricas em tempos ingratos
que deixaram rasto com os seus aparatos
mas que nunca tiveram um gesto daninho.
Que descansem em paz, Deus os tenha,
o Tone com a sua voz roufenha,
o Raimundo com o seu “copinho”!