Silva Cardoso, coordenador do GEIC, explica que “sendo o Serviço Nacional de Saúde um dos melhores a nível mundial, não faz sentido que o acompanhamento e tratamento dos doentes com IC seja tão incompleto e tão pouco eficiente, como se revela atualmente, e sem uma estratégia eficaz de abordagem aos doentes. Temos diversas áreas da Cardiologia em que prestamos cuidados de saúde de elevada qualidade, como é o caso concreto da Via Verde Coronária ou a Via Verde para o AVC, e é necessário fazer também da insuficiência cardíaca uma prioridade nacional”.

“Acreditamos que esta desorganização nos cuidados e falta de eficiência se deve a um profundo desconhecimento em relação à doença, quer por parte da população em geral como até, possivelmente, de alguns setores da comunidade médica. E basta olharmos para os factos para percebermos a dimensão do problema: a taxa de mortalidade da insuficiência cardíaca é superior à dos cancros mais comuns, como mama, próstata, colón e leucemia”, conclui.

Com o objetivo de contribuir para reverter esta situação, o GEIC organizou, em janeiro, o colóquio “Tempo de Agir – Portugal, 400 mil doentes com IC: organizar, AGORA!”, em Lisboa. Neste debate estiveram presentes médicos doentes e entidades governamentais, que foram desafiados a apresentar soluções e estratégias capazes de impulsionar a mudança.

A insuficiência cardíaca tem, ainda, um forte impacto ao nível dos gastos na saúde, representando 2.6% da despesa pública. De acordo com dados recentes, foi a segunda maior causa de dias de utilização de camas hospitalares em Portugal (182.512 dias de internamento), cerca do dobro dos números identificados para o enfarte agudo do miocárdio.

O número de internamentos por IC cresceu em 33% entre 2004-2012.