A Associação Portuguesa da Hipertensão Pulmonar (APHP) lança um apelo para a necessidade de se reconhecerem os sintomas desta patologia de difícil diagnóstico e para a urgência de ser considerada uma doença crónica, de forma a melhorar a qualidade de vida de todos os portugueses que vivem com hipertensão pulmonar (HP).

Estima-se que, em Portugal, existam cerca de 300 pessoas diagnosticadas com HP, mas os especialistas acreditam que a prevalência da doença é muito superior a esse número.  O subdiagnóstico leva a que muitos doentes levem anos a serem identificados e a iniciar o tratamento atempadamente. Apesar de incurável, um diagnóstico precoce pode garantir o controlo da patologia por meio de tratamentos que auxiliam no alívio dos seus efeitos.

“É determinante identificar mais pessoas com HP, uma vez que temos vários doentes que chegam até nós, após anos perdidos em consultas médicas. Estamos perante uma condição difícil de diagnosticar porque os seus sintomas são transversais a muitas outras patologias pulmonares, cardiovasculares e até neurológicas. O tempo médio que decorre entre o início dos sintomas e o diagnóstico é de aproximadamente 2 anos, mas temos casos em que esse processo pode atingir os 7 anos, algo que impacta consideravelmente a qualidade de vida” *, afirma Maria João Canas Saraiva, presidente da APHP.

Portugal é um dos países da Europa onde esta não é considerada uma doença crónica. Urge mudar essa realidade, no sentido de ajudar a comunidade de doentes e cuidadores a viverem melhor com esta condição. A facilidade de acesso a consultas, tratamentos e apoios a nível profissional, devido ao absentismo provocado pela doença, são conquistas importantes de serem alcançadas, no âmbito desta patologia.

São perdidos momentos importantes da vida e do quotidiano pela falta de oxigénio, o principal sintoma da HP e um elemento essencial à vida. Subir escadas, pegar no filho ao colo ou simplesmente caminhar são exemplos de atividades que estes doentes não conseguem realizar.