A linha telefónica de informação COVID-19 e Diabetes recebeu, em dois meses, mais de 500 chamadas de cuidadores, familiares e pessoas com diabetes. As principais questões diziam respeito à sua situação de saúde, preocupação face ao COVID-19, necessidades de ajuste no tratamento e conselhos para conseguir controlar o seu nível glicémico e o seu peso. A linha telefónica esteve ativa até ao início de junho e contou com a participação de três dezenas de médicos voluntários.

Esta linha, criada pela Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), pelo Núcleo de Diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD), com o apoio da farmacêutica Lilly envolveu, ao longo de dois meses 31 médicos endocrinologistas, de medicina interna e de diabetologia em regime voluntário. Os especialistas estiveram disponíveis todos os dias da semana, das 8h às 22h, para responder às questões dos doentes.

“No início, as perguntas que nos chegavam estavam relacionadas com a COVID-19 e a diabetes. As pessoas começaram a ouvir notícias que mencionavam que as pessoas com diabetes eram um dos grupos de risco para quem contrai o novo vírus, e surgiram muitos receios e dúvidas por parte dos doentes, que eram necessárias esclarecer. Muitas pessoas deixaram de contactar diretamente com os seus médicos de medicina geral e familiar e deixaram de se dirigir a centros de saúde e hospitais. Contudo, era essencial continuar a fazer chegar a informação médica ao doente e clarificar as mensagens que estavam a ser veiculadas na opinião pública. Foi por esse motivo que as sociedades decidiram criar a linha de apoio” revela Estevão Pape, Coordenador do Núcleo de Diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI)

O mês de abril foi o mês em que surgiram mais chamadas de questões e pedidos de apoio, dado ao confinamento e Estado de Emergência Nacional em que nos encontrávamos. Algumas das principais questões que chegaram à linha telefónica foram dúvidas sobre as terapêuticas, aumento de peso, controlo dos níveis de glicose no sangue e necessidade de ajuste de tratamento. Contudo chegaram também algumas questões burocráticas e relacionadas com o teletrabalho, direitos dos doentes com diabetes e autorizações para transporte de insulina no controlo alfandegário.

Davide Carvalho, presidente da SPEM, anuncia que “dado ao decréscimo do número de chamadas que se registou naturalmente, relacionado com o voltar da normalidade e a remarcação de consultas médicas e a normalização das idas aos centros de saúde e hospitais, a linha de apoio voluntária foi desativada. As sociedades vão continuar o seu trabalho de apoio aos médicos, profissionais de saúde e doentes, nos moldes que existiam até aqui. Fazemos um balanço muito positivo da linha telefónica, que teve um papel essencial durante o confinamento social. “

Muitas das pessoas que contactaram a linha tinham 40 ou mais anos, o que está de acordo com o perfil das pessoas que têm diabetes mellitus tipo 2. Contudo também registaram chamadas de doentes mais novos, com diabetes mellitus tipo 1. Verificou-se também uma procura interessante por parte de familiares, amigos e cuidadores de pessoas que vivem com diabetes que procuraram esclarecer algumas dúvidas. Apesar das chamadas terem sido feitas maioritariamente do território português, verificaram-se também contactos de portugueses a viver no estrangeiro, como a Suíça e o México.

SPEDM