O Dia Mundial da Luta Contra o Cancro comemora-se no dia 4 de fevereiro, tendo como objetivo a desmistificação de algumas das ideias pré-concebidas sobre o cancro, informar sobre fatos reais da doença, sensibilizar a população e mobilizá-la na luta contra o cancro.

O tema do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro de 2021 é “Eu sou e eu vou” que tem como objetivo consciencializar as pessoas para o poder que têm para reduzir o número de mortes prematuras por cancro. O cancro é uma doença em que as células do organismo crescem de forma descontrolada, formando um tumor que se pode espalhar a diferentes partes do corpo.

De acordo com a Direção – Geral da Saúde, todos os anos a nível mundial, cerca de 9,6 milhões de pessoas morrem de cancro e muitas destas mortes podem ser evitadas através da prevenção primária e secundária, deteção precoce e tratamento, pelo que a colaboração de todos os intervenientes na saúde das populações é fundamental para tornar o diagnóstico e o tratamento mais acessíveis. Estima-se que o número de casos de cancro e mortes relacionadas a nível mundial venha a duplicar nos próximos 20-40 anos, especialmente nos países em desenvolvimento.

Segundo dados do Observatório Global de Cancro (Globocan, 2018), em 2018, Portugal registou 58 199 novos casos de cancro, prevendo-se um aumento para 69 565 novos casos em 2040. Já no que se refere à mortalidade por cancro prevê-se um aumento de cerca de 31%, com quase 38 mil mortes em 2040. Atualmente, morrem cerca de 70 pessoas por dia com cancro, o que significa que, a cada hora que passa, 3 pessoas morrem vítimas da doença. No total, por ano são registados 25.000 óbitos. É importante recordar que somos um dos países mais envelhecidos da Europa, sendo que o maior fator de risco para o aparecimento do cancro é, precisamente, o envelhecimento.

Ao contrário do que se possa pensar, a maioria dos cancros não resulta de fatores hereditários que passam de geração em geração. Segundo a American Cancer Society, apenas 5 a 10% dos cancros são hereditários, pelo que, a esmagadora maioria das vezes, o cancro resulta de fatores ambientais, como o meio em que a pessoa vive e o seu estilo de vida. Qualquer pessoa pode desenvolver um cancro, mas algumas pessoas correm um risco maior devido a fatores comportamentais ou ambientais (os que fumam, bebem álcool, têm excesso de peso ou são obesos, fazem um regime alimentar não saudável, têm uma vida sedentária ou os que estão expostos a determinadas infeções, radiações ou produtos químicos cancerígenos).

O Código Europeu Contra o Cancro foi criado para informar as pessoas das medidas que podem adotar para ajudar a reduzir o risco de desenvolverem cancro e recomenda os programas de rastreio cuja eficácia está reconhecida. Quanto mais recomendações se puderem seguir, menor será o risco de aparecimento de cancro.

Assim, o referido código aponta 12 formas de reduzir o risco de cancro:

1 – Não fume. Não use qualquer forma de tabaco.

2 – Faça da sua casa uma casa sem fumo. Apoie regras antitabágicas no seu local de trabalho.

3 – Tome medidas para ter um peso saudável.

4 – Mantenha-se fisicamente ativo no dia-a-dia. Limite o tempo que passa sentado.

5 – Tenha uma dieta saudável:

  • Coma bastantes cereais integrais, leguminosas, vegetais e frutas.
  • Limite os alimentos muito calóricos (com muito açúcar ou gordura) e evite as bebidas açucaradas, deixando o seu consumo apenas para ocasiões festivas.
  • Evite as carnes processadas (enchidos, produtos de charcutaria, carnes fumadas e salgadas, etc.). Limite as carnes vermelhas e os alimentos com elevado teor de sal.
  • Aposte em mais refeições ricas em proteína vegetal (feijão, grão, tofu, etc.), substituindo algumas refeições de carne.
  • Rejeite as partes carbonizadas da carne grelhada.

6 – Se consumir álcool, limite o seu consumo. Não consumir bebidas alcoólicas é benéfico para a prevenção do cancro.

7 – Evite a exposição excessiva ao sol, especialmente para as crianças. Use protetor solar. Não use solários.

8 – No seu local de trabalho, proteja-se de substâncias cancerígenas seguindo as instruções de segurança e saúde.

9 – Verifique se está exposto a radiação derivada de altos níveis de radón natural em casa. Tome medidas para reduzir os níveis elevados de radón.

10 – Para as mulheres:

  • A amamentação reduz o risco de cancro da mama. Se puder, amamente o seu bebé.
  • A terapêutica hormonal se substituição (THS) aumenta o risco de determinados cancros. Limite o recurso à THS.

11 – Assegure-se de que os seus filhos estão vacinados contra:

  • Hepatite B.
  • Vírus do papiloma humano (HPV).

12 – Participe em programas organizados de rastreio do cancro para:

  • Cancro colo-retal (homens e mulheres).
  • Cancro da mama (mulheres).
  • Cancro do colo do útero (mulheres).

Por fim, em jeito de conclusão, apesar de se verificarem desigualdades muito acentuadas a nível do acesso a meios de diagnóstico, tratamento e cuidados em oncologia e os tempos de espera serem demasiado elevados, para diagnóstico, tratamentos e cirurgias, mais de 50% dos doentes com cancro conseguem curar-se. É importante que se faça consultas regulares com o médico assistente e seguir as suas indicações, fazendo com regularidade as análises ou exames de rotina aconselhados. A deteção precoce de um problema cancerígeno é sempre uma vantagem e pode ser determinante para o sucesso do tratamento.