Com a chegada do Outono e dos meses frios de Inverno intensificam-se as campanhas de sensibilização para a importância da vacinação, nomeadamente da gripe.

É facto que a atividade gripal ocorre nas semanas frias do ano, com início em Outubro até ao início da Primavera e portanto, “é certo que, não há inverno sem gripe”, e todos os anos são ultrapassados o número de casos expectáveis para esse mesmo ano (epidemia).

Durante o Inverno, além das alterações no organismo que fa-cilitam o aparecimento de doenças como a gripe e outras infeções respiratórias (pneumonia, bronquite, entre outras), existem também alterações no comportamento social das pessoas que facilitam a propagação de algumas doenças infeciosas, uma vez que há maior tendência para frequentar espaços fechados.

A gripe “é uma doença aguda, de início súbito, provocada, necessariamente pelo vírus da gripe”. Transmite-se por via aérea, sobretudo em aglomerados populacionais, com um período de incubação entre 1 a 3 dias. Caracteriza-se por um quadro de febre, tosse, cefaleias, prostração, mialgias e dores de garganta.
Por se tratar de uma doença que, em regra, evoluiu para a cura em cerca de uma semana, atualmente, ainda se verifica muita resistência por parte da população portuguesa relativamente à vacinação sazonal contra a gripe.

É este carácter favorável e benigno da doença que a torna perigosa e lhe confere um efeito prejudicial junto da população. Isto porque a infeção pelo vírus e a sua letalidade são variáveis e determinadas pela virulência da estirpe, pela prévia existência de doenças crónicas e também pelo estado vacional do doente em relação à gripe. A ocorrência de complicações, como a pneumonia, seja de origem gripal, seja por sobreinfeção bacteriana, alteram esta evolução benigna da doença.
Todos os anos, a população portuguesa é afetada por este vírus, com complicações que podem conduzir ao internamento hospitalar e ao óbito, sobretudo nos grupos dos mais jovens e idosos e portadores de doença crónicas.

A gripe e outras infeções respiratórias podem e devem ser prevenidas através da higiene das mãos, da etiqueta respiratória (tossir ou espirrar para um lenço descartável ou para o antebraço), da cessação tabágica e da adoção de um estilo de vida saudável (alimentação saudável, prática de exercício físico). Contudo, a principal medida de prevenção é a vacinação.

A vacinação inicia-se em outubro e deve ser feita preferencialmente até ao fim do ano, podendo ser administrada durante todo o outono e inverno. Devido à constante variação dos vírus da gripe (quer do tipo A quer B), a imunidade gerada pela vacina não é duradoura, pelo que as vacinas são diferentes todos os anos e as pessoas devem vacinar-se anualmente.

A imunização pela vacina sazonal tem como objetivo assegurar a proteção individual em relação à infeção, mas também a proteção quanto às manifestações de doença, suas complicações e principalmente proteger os grupos de risco durante a atividade epidémica que ocorre nas semanas mais frias do ano.

O SNS tem cerca de 1,4 milhões de vacinas para administrar gratuitamente a alguns dos grupos de risco. Quem não for abrangido pode adquirir a vacina nas farmácias, sob prescrição médica, beneficiando de 37% de comparticipação.
As pessoas podem e devem contactar o seu médico de família ou centro de saúde para esclarecimento da sua situação e aconselhamento sobre a vacinação.

Armanda Freixo

Médica interna na USF Lethes de Ponte de Lima

Bibliografia:
l. Norma da DGS “Vacinação contra a gripe”; número 018/2018
2. George, Francisco. Introdução ao Estudo da Gripe. Março, 2014
3. https://www.dgs.pt/saude-publica1/gripe.aspx
4. https://www.who.int/topics/influenza/es/
5. https://www.cdc.gov/flu/about/viruses/index.htm