A Associação de Intervenção Social, Cultural e Artística (AISCA) já entregou as primeiras viseiras aos profissionais de saúde. Mais de duas centenas de equipamento de proteção foi produzido com a solidariedade de algumas pessoas.
Cumprido este primeiro objetivo, o presidente da direção, Noé Aço, explica que vão contribuir com snacks e sumos para os profissionais de saúde. Neste sentido, apela a quem tenha “equipamentos para produção de alimentos, como por exemplo: fornos ou máquinas de laranjada que não estejam a utilizar, para que se juntem à AISCA”.
A iniciativa de produção de viseiras partiu de dois anónimos, que recorreram à AISCA para apoio logístico e institucional. Esta assumiu a liderança do projeto, mas contou com a colaboração de muitos. O atingirem o objetivo em pouco mais de uma semana prende-se, segundo Noé Aço, com “o tema da campanha ser absolutamente consensual e premente”.
A Aurora do Lima (AAL): Como surgiu a ideia de produzirem viseiras?
Noé Aço (NA): A ideia surge de duas pessoas, que pediram anonimato, amigas da AISCA, mas acima de tudo preocupadas em ajudar a comunidade neste momento difícil que vivemos. A AISCA juntou-se como forma de institucionalizar à ideia, mas também para ser o seu veículo logístico, oferecendo confiança a quem doa e responsabilidade pelos resultados.
AAL: Atingiram os objetivos? Em pouco tempo conseguiram angariar o dinheiro necessário?
NA: Sim, a AISCA acredita que foi possível reunir os fundos de maneira tão rápida, porque o tema da campanha é absolutamente consensual e premente.
AAL: No total, quanto angariaram e quantas viseiras foi possível produzir?
NA: Angariou-se 772€ e produziram-se 262 viseiras.
AAL: A quem as entregaram?
NA: As viseiras foram entregues a várias instituições de Viana do Castelo: Hospital, Cruz Vermelha, Bombeiros Municipais e Voluntários; alguns lares de idosos e farmácias das freguesias urbanas de Viana. Gostaríamos de ter podido chegar a mais locais, mas não foi possível. Acreditamos e sabemos, no entanto, que já estão a ser criados mecanismos para que todas as instituições e organismos tenham acesso a este tipo de material, já que as grandes empresas começam a poder dar capacidade de resposta, muito superior à que a AISCA poderá dar.
AAL: São uma Associação de Intervenção Social, Cultural e Artística. Esta vertente solidária é também a vossa missão?
NA: Esta ação foi considerada como estando enquadrada na vertente de intervenção social da associação, assim como outras ações que já se realizaram, como por exemplo a limpeza do Castro de Moldes, em conjunto com o Gabinete de Apoio à Família (GAF) e a Câmara Municipal de Viana do Castelo.
AAL: Pretendem fazer outras acções? Quais?
NA: Sim. No âmbito da luta contra a COVID-19 ainda se fará mais trabalho, mas para já ainda estamos a formalizar tudo. Foi-nos identificada, pelo Hospital, a necessidade de que haja uma contribuição de snacks, para serem consumidos a meio dos turnos, tais como sumos, barras energéticas, pacotes de leite, entre produtos similares. Possivelmente a continuação desta campanha irá neste sentido. Por isso mesmo, a AISCA aproveita para pedir às superfícies fechadas, que tenham equipamentos para produção de alimentos, como por exemplo: fornos ou máquinas de laranjadas que não estejam a utilizar, para que se juntem à AISCA. Fora deste âmbito, iremos continuar a trabalhar na nossa missão e objectivos.
AAL: Fale-nos um pouco da Associação. Qual a missão dela?
NA: A Associação tem como fim promoção, divulgação, desenvolvimento e sensibilização de actividades culturais em diversas áreas (música, artes visuais, teatro, dança, educação, ambiente), através do estímulo das práticas artísticas, pedagógicas e contribuindo desta forma para o desenvolvimento social da cidade.
AAL: Integra associados de diversas áreas?
NA: Sim. Arquitetos, Fotógrafos, Artistas Plásticos, Gestores Culturais, Advogados, Designers, Cineastas, Músicos, Filósofos, Sociólogos, entre outras muitas profissões.
AAL: Quais as acções mais relevantes que desempenham?
NA: A acção da AISCA, nos últimos anos, tem sido sobretudo de apoio a artes e artistas de Viana. Infelizmente não tanto na cidade de Viana, já que não há muito espaço para o tipo de atividades que faz, mas sabemos que é uma questão de tempo, porque quando o trabalho é bom, acaba por ser reconhecido.
Cidália Meirim Rodrigues
Foto: Paulo Alegria