Milhares de pessoas posicionaram-se logo cedo, nas margens do rio Lima, para receber a Procissão ao Mar. Este ano, o andor e o Bispo D. Anacleto Oliveira foram a bordo do Santa Luzia no Monte, de Caminha. Após a celebração religiosa seguiu-se o itinerário até ao Cais, com a presença de cinco andores, das mulheres e homens da Ribeira e das bandas filarmónicas.

Junto ao Cais de Desembarque o Bispo da Diocese falava das mãos da Senhora d´Agonia. D. Anacleto Oliveira explicava: “as tuas mãos são, hoje, aquilo que mais me fascina. As mãos abertas para dar e receber. As tuas mãos de mãe que acolhe filhos que a ti recorrem e que se estendem para nos dar aquilo que precisamos para viver”.

Colocando-se ao lado dos armadores que “ameaçaram boicotar” a Procissão ao Mar, o Bispo D. Anacleto manifestava que se “correu sério risco desta procissão não se realizar, porque aquilo que nos deste estava a ser tirado sem mais aqueles a quem pertence”. Referindo-se, uma vez mais, as mãos da Senhora d`Agonia, o Bispo da Diocese dizia: “as tuas mãos dizem não. Este mar é dos pescadores, que precisam dele para viver”.

D. Anacleto Oliveira acrescentava: “seria inadmissível para ti e para os que recorrem a ti ver responsáveis pelo destino deste país virem a Viana deitar umas pitadas de sal nos tapetes que se estendem ao longo das casas destes pescadores e simultaneamente esquecerem o sangue que corre com as lágrimas dos olhos destes homens e mulheres, e o sal que se mistura com o suor do seu corpo com o qual trabalham para obter aquilo de que precisam”.

O Bispo da Diocese dizia que “a ameaça de boicote” foi “o maior gesto de piedade, confiança e entrega nas vossas mãos”. D. Anacleto Oliveira finalizou: “se voltarmos a correr riscos semelhantes voltaremos a fazer o mesmo, iremos entregar a ti o modo de sentir e as necessidades que temos para que tu como mãe voltes a inspirar-nos com o boicote enquanto os direitos daqueles que tu amas não forem reconhecidos”.

Ainda antes de terminar a alocução do Bispo, já se ouviam palmas dos diversos pescadores e gentes da Ribeira que já estavam nos diversos barcos que estavam posicionados no Cais.

A procissão dos Pescadores parte do Santuário da Senhora d´Agonia e para além do andor da padroeira dos homens do mar, vãos mais quatro: a Nossa Senhora dos Mares; Nossa Senhora de Monserrate; São Pedro e o Beato Bartolomeu dos Mártires.