A relação dos portugueses com o mar, ao longo de toda a sua história, é imensa. Basta recuarmos à Época dos Descobrimentos para percebermos que as viagens marítimas dos nossos navegantes permitiram a descoberta de novas rotas, de novos povos e de novas culturas. Por isso, podemos dizer que essa Época representou um dos maiores contributos para o conhecimento da história da humanidade.

Foi através do contacto com o mar que novas mentalidades aparecerem, sobretudo ao nível científico, na astronomia e nas ciências náuticas. Trocamos o conhecimento que até ali era transmitido pelos antigos, que nos sugeriam o medo pelo mar e o culto por figuras medonhas e assustadoras, pela vontade de experienciar cada vez mais as descobertas e novidades marítimas, como forma de revelação de um novo mundo. Tudo isto levou ao crescimento económico de Portugal, ao desenvolvimento do conhecimento cientifico e ao aparecimento de cientistas, historiadores e escritores portugueses reconhecidos como figuras intelectuais prestigiadas que eram invocados no mundo académico europeu, como é o caso de Garcia da Horta, nas Ciências, Gaspar Correia na História e Luís Vaz de Camões na Literatura, entre muitos outros.

Por isso, há quem arrisque dizer que a inteligência e o humanismo desta época da história tiveram a marca portuguesa, dado o enorme contributo do nosso povo para que isso acontecesse.

Depois deste período grandioso da história de Portugal, veio a fase da decadência. Mas apesar disso, mantiveram-se intactos os sinais do mar de outrora, que continua vivo entre nós. A literatura das viagens do período dos Descobrimentos constitui um valioso tesouro a nível humano, literário e cultural; a gastronomia que mantém vivos os sabores a peixe e a maresia, fazendo com que nossa cozinha seja inigualável em todo o mundo; a música que faz questão de invocar o mar como tema central de muitas melodias, etc.

E são estes sinais que devem alertar os nossos governantes para a importância que o mar tem para o nosso país. O mar deve ser visto como um tesouro que está aqui mesmo ao nosso lado, pronto a ser explorado como uma verdadeira potencialidade de recursos e riquezas por observar, como forma de crescimento e desenvolvimento cultural, ambiental, turístico, industrial e económico, fazendo com que Portugal deixe de estar limitado à sua dimensão terrestre.

Madalena Rego Sá