Porfírio Silva, escritor vianense, licenciado em Filosofia e pós-graduado em Filosofia Moderna e Contemporânea pela Universidade do Minho, nosso colaborador, actualmente a desempenhar funções de Técnico Superior na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, pelo sexto ano consecutivo volta a Coimbra para participar, desta vez, no “IX Congresso Internacional de História da Loucura, da Psiquiatria e da Saúde Mental”.
Trata-se de uma organização da «Sociedade de História Interdisciplinar da Saúde – SHIS» e coorganização científica e colaboração institucional do «Grupo de História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia do Centro de Estudos interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra — GHSCT-CEIS20».
Este congresso visa dar continuidade a temáticas apresentadas e aprofundar as frentes de discussão abertas desde a primeira edição, anteriormente denominadas de Jornadas, mas que face à dimensão e ao impacto atingidos no meio científico internacional teve que passar a vestir a roupagem de Congresso, que decorrerá do dia 7 a 9 de Maio do corrente ano, e onde o Porfírio abordará o tema «Os Programas das Lições do Curso Livre de Antropologia na Medicina e a incidência na Psiquiatria».
A participação sucessiva do Porfírio neste conclave de carácter científico, onde emparceira com muitos dos bons especialistas ligados à temática da mente, foram razões para que com ele tivéssemos uma curta conversa, procurando elucidar melhor os nossos leitores e os vianenses em geral das razões deste seu envolvimento em tão complexa matéria.

Porfírio, já lá vão seis anos de convites. A que se deve a tua presença continua neste fórum tão especializado em questões da mente?

De facto, com este, é o sexto ano consecutivo que participo em jornadas desta natureza, fruto do desafio lançado pela comissão científica, liderada pelos Professores Doutores Ana Leonor Pereira e João Rui Pita, da Universidade de Coimbra, que num primeiro momento, aquando da minha primeira participação nas IV Jornadas Internacionais, em 2013, sentiu alguma apetência coloquial da minha parte para os estudos interdisciplinares que ia de encontro à área de investigação institucionalizada no «Grupo de História e Sociologia de Estudos Interdisciplinares do Século XX» da Universidade de Coimbra, que desde a sua fundação e institucionalização, ocorrida em 1988, tem mantido com dinamismo esta área de pesquisa que se tem traduzido em projetos de investigação, teses de doutoramento, organização de reuniões e outras ações similares, e que, ao mesmo tempo, se traduz de uma forma positiva na existência de um conjunto de investigadores interessados nestas temáticas em Portugal e fora do nosso país. Estas Jornadas, ora Congresso, têm funcionado como permuta, debate, interpretação e partilha da nossa atividade de pesquisa.

Que razões alicerçam a tua dedicação e estudo por esta matéria?

A minha paixão, se é que assim poderei dizer, pela Filosofia da Mente e/ou Ciências Cognitivas advém daquilo a que me habituei denominar de projeto de unificação da função psíquica que assegura a recolha, o armazenamento, a transformação e tratamentos da informações que recebemos do mundo exterior, partindo do pressuposto que daí poderemos elaborar o conhecimento do real. E tudo isto começou, de uma forma embrionária, enquanto académico, com a anuência e mestria do Professor Doutor Manuel Curado, um dos maiores especialistas da área, que conseguiu reconhecer em mim a amplitude e a ambição que nos motiva ao conhecimento do cérebro humano, pelos objetos privilegiados da reflexão filosófica: perceber, raciocinar, aprender, lembrar e falar, interagindo com as neurociências, nas quais se incluem a neurologia, neurofisiologia, psiquiatria, psicologia (tal como as outras ciências humanas, constituiu-se de maneira autónoma e separada da filosofia no final do século XIX) e a própria linguística, que nos fornecem elementos para o estudo dos mecanismos do pensamento.

Dado o teu entusiasmo por estas disciplinas, já alguém te propôs um doutoramento nesta área?

Sempre firmei o meu propósito de continuar a aprofundar esta temática, não com o sentido de utilidade prática, mas como forma de adquirir o conhecimento, enquanto atividade teórica e desinteressada, isto é, satisfazer o puro desejo de saber, com vista a uma futura especialização na área das Ciências Cognitivas. Este cenário, não significa que a minha participação ao longo destes seis anos consecutivos seja reflexo de algum facilitismo empático da parte da comissão científica, dado que apesar dos convites formulados de uns anos para os outros, tudo isto obedece sempre a uma certa crivagem científica. Se alguma vez me propuseram o doutoramento nesta área? Claro que sim! Contudo, a questão económica pesa muito na minha indecisão, para não dizer impossibilidade.

Desejamos a este prezado Amigo e colaborador assíduo do nosso jornal a melhor participação em mais este prestigiado congresso, onde, para bem de todos, se expõe o conhecimento e se aprofundam as ideias.

G.F.M.