Os atrasos na transferência das verbas do Programa de Apoio Sustentado da Direção Geral das Artes (DGArtes) obrigou o Teatro do Noroeste a cancelar um espetáculo e a fazer cortes em outras produções.

O diretor artístico da companhia dizia, à margem da apresentação da programação para o mês de maio, que estão a equacionar recorrer a um empréstimo bancário para que os salários deste mês não deixem de ser pagos. Ricardo Simões falava de uma “situação financeira muito difícil”, depois de ainda não terem novas informações sobre os apoios daquele Programa. “Gostávamos de saber da linha de apoio que foi anunciada pelo Ministério da Cultura para fazer face a este período, em que as companhias apoiadas teriam acesso a uma linha de crédito a juros bonificados na Caixa Geral de Depósitos e nunca mais se ouviu falar disso. Neste momento, o Teatro do Noroeste está, em conjunto com a Câmara Municipal, a procurar financiamento privado, junto da banca. É preciso dinheiro enquanto esperamos pelo apoio da Direção Geral das Artes (DGArtes)”. O apoio de 250 mil euros atribuído por aquele organismo ainda carece de análise pelas instâncias governamentais. Contudo, Ricardo Simões espera, no final de maio, ver confirmada a atribuição. “A nossa candidatura tinha um valor de 375 mil euros e agora nós estamos a fazer o trabalho inverso. Prevendo que eles vão ratificar essa decisão e nos vão atribuir 250 mil euros, vamos antes de contratualizar adaptar a nossa programação” para esse valor.

“Se não houver empréstimo não há vencimentos. É tão simples como isto. Em final de maio não haverá vencimentos, o que é muito penoso para todos”, esclareceu o responsável. Ricardo Simões lembrou ainda que foi “cortada uma produção de Fernando Gomes, que integrou a candidatura do Teatro Noroeste aos apoios da DGArtes”. Além desta, fizeram “cortes” em “valências de outras produções, tentando não desvirtuar o projeto artístico de cada uma delas”. Neste mês de maio, o Teatro do Noroeste participará num projeto transfronteiriço de teatro amador, nos dias 04, 05 e 06, em Salamanca. A 05 de maio, o café concerto junto ao Teatro Sá de Miranda acolhe a primeira parte da interpretação de “9 anos depois”, a partir das 21h. Esta será “uma nova dinâmica dos nossos espetáculos, que terão uma primeira parte no café”. Esta é uma criação e produção do Auééeu Teatro.

Ricardo Simões destacou ainda a comédia musical “Duelo a muerte del Marques de Pickman y lo que aconteció después a su cadaver”, que subirá ao palco do Cineteatro dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, em Caminha. Inserido no projeto Festival de Música e Património – “Sente a História”, o Teatro do Noroeste participará com dois atores, que farão a interpretação. No dia 13 será em Ponte de Lima, na igreja Matriz, e, no dia 25, em Viana do Castelo.

A peça (I)migrantes fará digressão pelo país. O espetáculo da companhia e com encenação de Gaeme Pulleyn será apresentado em Almada, Lisboa e Évora. Nos meses seguintes chegará, segundo o responsável, a outras localidades.