A Câmara Municipal de Caminha e o Agrupamento de Escolas Sidónio Pais vão promover o colóquio “Do Armistício da Grande Guerra ao Assassinato de Sidónio Pais”, com a participação de José Santos, Paulo Torres Bento, Armando Malheiro e Fernando Rosas. O evento decorre no próximo sábado, dia 08 de dezembro, pelas 10H00, no Valadares, Teatro Municipal de Caminha. Este colóquio encerra as comemorações “Do Armistício da Grande Guerra ao Assassinato de Sidónio Pais”.

A iniciativa “Do Armistício da Grande Guerra ao Assassinato de Sidónio Pais” teve como objetivo assinalar dois factos históricos: o Armistício e o assassinato de Sidónio Pais, avaliando o impacto que ambos tiveram no Município.

O colóquio do próximo sábado é composto por dois painéis: “O CEP e os Militares do Concelho de Caminha”, orientado pelo sargento José Santos e Paulo Torres Bento; e “Sidónio, a Guerra e a Política”, com Armando Malheiro e Fernando Rosas. Esta formação dirige-se a todos os grupos de professores e educadores.

O colóquio terá início, pelas 10H00, no Valadares, Teatro Municipal de Caminha, e a abertura estará a cargo de Guilherme Lagido Domingos, presidente em exercício da Câmara Municipal de Caminha; Maria Esteves, diretora do Agrupamento de Escolas Sidónio Pais, e Jorge Oliveira Fernandes, diretor do Centro de Formação Vale do Minho.

O painel “O CEP e os Militares do Concelho de Caminha” apresenta as comunicações ‘Os militares do concelho de Caminha a e Brigada do Minho na Flandres”, por Paulo Torres Bento (professor de História e historiador especializado em temas locais e regionais), e “Na pele do soldado Português na Grande Guerra: necessidades e realidades”, com José Manuel Alves dos Santos (sargento ajudante do Exército e historiador de temas militares).

O painel “Sidónio, a Guerra e a Política” encerra o colóquio, com as intervenções “Portugal na 1ª Guerra Mundial, o quadro interno e o quadro externo”, a cargo de Fernando Rosas (doutor em História, da Universidade Nova de Lisboa) e “Sidónio Pais, o Sidonismo e a 1ª Guerra Mundial”, por Armando Malheiro da Silva (doutor em História, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto).

Exposição e mostra bibliográfica para visitar até 31 de janeiro

Este evento integrou várias iniciativas, com destaque para a mostra bibliográfica “A Livraria do Coronel Júlio Torres” e a exposição “Da Batalha de Lalys ao Armistício”, patentes na Biblioteca Municipal e Museu Municipal, até 31 de janeiro.

A exposição “Da Batalha de Lalys ao Armistício” é composta por três núcleos.  O primeiro dá enfoque à Batalha de Lalys, o segundo, dá a conhecer os caminhenses na Grande Guerra, onde se podem ver os rostos e percurso de vida dos cerca de 150 homens que combateram na Primeira Grande Guerra e, por último, existe um núcleo dedicado a Sidónio Pais, um Presidente da República natural de Caminha.

A mostra bibliográfica “A Livraria do Coronel Júlio Torres” é composta por quatro painéis. Júlio Augusto Valadares Torres nasceu a 13 de abril de 1890, no Porto, filho de Júlio Augusto Valadares, negociante, natural de Caminha, e de Maria Adelaide Araújo Alves, natural de Monção. Era neto paterno de Manuel Gavinho Torres e de Maria Quitéria Valadares e materno de Domingos José Alves e Maria Emília de Araújo Cunha. Muito cedo, por doença e falecimento do pai, veio viver com a mãe para casa do avô paterno, na Rua de S. João nº 52, em Caminha. Participou na Primeira Guerra Mundial, inicialmente na Campanha de Moçambique, de maio a outubro de 1916, e depois em França, de janeiro de 1918 a junho de 1919.

Sobre a “A Livraria do Coronel Júlio Torres” importa referir que, em fevereiro de 2015, o Município de Caminha recebeu das mãos da Senhora D. Isolina Macedo 630 livros pertencentes à sua biblioteca pessoal, legada pelo seu pai, Coronel Júlio Valadares Torres. Trata-se de uma coleção que foi constituída ao longo da vida do Coronel e que o terá acompanhado pelas diversas residências, designadamente: Valença; Braga; Porto; Lisboa e Caminha. 1876 e 1949 são as datas extremas que as edições apresentam.

A Livraria do Coronel Júlio Valadares Torres, desde 2015 património do Município de Caminha, é gerida pela Biblioteca Municipal. Todos os exemplares foram catalogados e estão disponíveis para o público, em sala reservada. Os temas predominantes nestes volumes são: literatura portuguesa e estrangeira, sobretudo francesa; história; geografia; política; filosofia; estratégia militar e viagens. Os autores são de renome e alguns já raros ou mesmo ausentes nos catálogos do sec. XXI.

O afeto do Coronel Júlio Torres por cada um dos seus livros evidencia-se pelas encadernações personalizadas, com peles naturais e têxteis, maioritariamente manufaturadas pelo vilarmourense Mário Pontes, pelas anotações sistemáticas manuscritas, pelos recortes de imprensa que intercalava, de modo oportuno e frequente, entre as páginas dos volumes e pelo evidente carácter metódico que estabeleceu para conduzir a seleção das obras e a constituição da coleção. Em 2018, atendendo a este legado, alcançamos a intemporalidade dos livros e o reconhecimento pelo seu dom para perpetuar e renovar o saber e a cultura.